A ministra do Meio Ambiente e Mudanças do Clima do Brasil, Marina Silva, recebeu nesta terça-feira (14), a Medalha Memorial John C. Phillips. O prêmio, a mais alta honraria dada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), reconhece a contribuição e excelência dos serviços prestados por Marina para conservação da natureza no mundo. A cerimônia de premiação foi realizada no Congresso Mundial de Conservação da IUCN, em Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos. Devido à agenda da COP 30, a ministra não pode comparecer presencialmente, mas está prevista uma entrega simbólica da medalha para ela durante a Conferência do Clima, em Belém.
Em vídeo enviado à IUCN, Marina agradeceu o reconhecimento da organização com a medalha. “Esta honraria representa para mim não apenas um reconhecimento individual, mas um reconhecimento do esforço coletivo do povo brasileiro e das muitas pessoas, comunidades, instituições, que lutam incansavelmente pela defesa da vida, da floresta e do clima. Agradeço a IUCN por este gesto generoso e por seu papel histórico na construção de uma agenda global de conservação e proteção da biodiversidade. Recebo esta medalha em nome do povo brasileiro, das populações tradicionais, dos povos indígenas e de todos os defensores da natureza que continuam acreditando que é possível construir um mundo mais justo, equilibrado e solidário com todas as formas de vida”, disse a ministra.
O diretor de Áreas Protegidas do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças do Clima, Pedro da Cunha e Menezes, presente no congresso, recebeu a medalha em nome da ministra. “Ela é um farol para todos nós e ela guia com seu exemplo nosso trabalho na conservação”, resumiu o diretor em seu discurso.
Em conversa com ((o))eco, completou: “Esse é também um reconhecimento da gestão da conservação no Brasil. Para nós é um orgulho muito grande. O Brasil está sendo muito valorizado por sua atuação na área ambiental”.
“Suas conquistas não se limitam ao Brasil. Sua sabedoria, perseverança e defesa da natureza realmente promovem a causa da conservação em todo o mundo”, exaltou a presidente da IUCN Razan Khalifa Al Mubarak, durante o anúncio.
A presidente da IUCN destacou o trabalho da ministra, em ambos os períodos à frente do ministério do Meio Ambiente, na redução do desmatamento no país, na criação de milhões de hectares de áreas protegidas, na promoção de políticas inovadoras e participativas, com a inclusão de povos indígenas e comunidades tradicionais como parte da agenda ambiental no país, e no lançamento de iniciativas de financiamento global para proteção de florestas.
John Phillips, que dá nome à medalha, foi um especialista em medicina e zoologia, e um dos pioneiros do movimento conservacionista. Uma das suas principais bandeiras era pela cooperação internacional para a conservação da natureza e ele teve participação direta no desenvolvimento dos primeiros tratados sobre a vida selvagem. John Phillips faleceu em 1938, dez anos antes da criação da própria IUCN. A medalha, criada em sua memória, é dada desde 1963 para pessoas que dedicaram suas vidas à proteção da natureza e é considerada uma das maiores honrarias na área da conservação no mundo.
Essa é a segunda vez que a medalha é dada para uma brasileira e a terceira mulher a receber o prêmio. Em 2016, a ambientalista Maria Tereza Jorge de Pádua foi agraciada com a honraria da IUCN por sua atuação na criação de milhões de hectares de áreas protegidas no Brasil.
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